Grupo
Ó do Borogodó interpreta Altamiro Carrilho

Grupo paulistano Ó do Borogodó lança
CD ‘Um Tributo a Altamiro Carrilho’, que traz participação
do músico, além de composição inédita
Patrimônio
da música brasileira, mais conhecido como instrumentista
do que como compositor, Altamiro ganha seu primeiro tributo
em mais de 50 anos de carreira
Formado
inicialmente para tocar na casa noturna paulistana de samba
Ó do Borogodó, o grupo musical acabou adotando
o nome do bar e está lançando seu primeiro CD,
Um Tributo a Altamiro Carrilho (www.luamusic.com.br), no qual
faz um apanhado das composições do genial flautista,
em várias fases de sua carreira. É integrado por
Lula Gama (violão), Ildo Silva (cavaquinho), Alexandre
Ribeiro (clarinete) e Roberta Valente (pandeiro), todos músicos
experientes da noite paulistana e que, em outras formações,
já acompanharam, por exemplo, Beth Carvalho, Yamandú
Costa, Tom Zé e Marcelo D2. O caricaturista Paulo Caruso
assina um desenho do grupo e a capa é de Mário
Tarcitano.
Altamiro, que na década de cinquenta teve suas músicas
reunidas em um disco de 10 polegadas, com o grupo Turma da Gafieira,
do qual fazia parte ao lado de Sivuca e Raul de Souza, ao saber
dessa grande e única homenagem do Ó do Borogodó,
50 anos depois, aceitou prontamente o convite para participar
da inédita "Não resta a menor dúvida".
Num congraçamento comum nas rodas de choro, participam
de algumas faixas, lendas vivas do gênero como os irmãos
Izaías do Bandolim e Israel Bueno (violão), Stanley
Carvalho (clarinete), João Macacão (violão
de 7), João Poleto (sax) e Zé Barbeiro (violão).
A pandeirista Roberta Valente explica a escolha do homenageado:
“Era um sonho meu. Sou apaixonada pela música do
Altamiro. Conheci boa parte da obra dele na noite paulistana,
tocando com alguns dos meus ‘mestres’ como Zé
Barbeiro, Milton de Mori e João Macacão, que me
ensinaram também tudo o que sei de choro. Escolhi, com
sofrimento, só essas 14. Altamiro está no mesmo
nível de Pixinguinha e Jacob do Bandolim, por exemplo.”
Altamiro Aquino Carrilho (21/12/1924), fluminense de Santo Antonio
de Pádua, iniciou a carreira no Rio de Janeiro, em programas
de calouros, como o de Ary Barroso. Gravou seu primeiro choro,
Flauteando na Chacrinha, em 1949. Um ano depois montou seu próprio
grupo na Rádio Guanabara. Mais tarde substituiu Benedito
Lacerda no conjunto regional de Garoto. Acompanhou cantores
como Vicente Celestino, Orlando Silva e Francisco Alves. Tocou
no Japão e na Rússia. Experimentou com música
erudita, tocando um concerto de Mozart no Teatro Municipal do
Rio de Janeiro. É um dos responsáveis pela redescoberta
do choro, na década de setenta. Aos 83 anos, continua
atuando em gravações e shows pelo Brasil.
No repertório, choros (Esquerdinha na gafieira e Atraente),
samba (Perdão, Amor), baião (Elegante, Baião
na Síria e Gracioso), samba-canção (Meu
sonho é você) e valsas (Lyra e Guaracy).