Célia e Dino Barioni - Faço no tempo soar minha
sílaba

Álbum
tem participação de Zélia Duncan, Beth
Carvalho, Dominguinhos, Lucinha Lins e Quinteto em Branco e
Preto
Célia
diz que nasceu para cantar. Tem sido assim nos mais de 35 anos
de carreira dessa paulistana que, um dia, em 1970, participou
do programa Um Instante Maestro!, do temido apresentador Flávio
Cavalcanti (uma espécie de ‘Fantástico’
da época) e saiu de lá vitoriosa por sua afinação
e repertório. O título do novo CD, Faço
no tempo soar minha sílaba, trabalho que ela divide com
o violonista Dino Barioni, deixa claro essa opção.
A
idéia de unir Célia e Dino em disco é do
jornalista, produtor e pesquisador musical Thiago Marques Luiz,
responsável por CDs como Disco de Ouro (Ângela
Maria) e um tributo a Maysa, inédito. Para Célia
e seu estilo bem-humorado, o encontro foi o “da fome com
a vontade de comer: Dino é um grande violonista, e nosso
entrosamento nem precisa de palavras”. O violonista diz
que Célia “além de referência como
cantora, te dá liberdade para criar arranjos e harmonias,
fundamental em um trabalho assim”. O álbum tem
participação de Zélia Duncan, Beth Carvalho,
Dominguinhos, Lucinha Lins e Quinteto em Branco e Preto.
Célia
estudou violão clássico e popular, harmonia, teoria
e composição. Em 1971 lançou seu primeiro
CD, Célia e a partir daí vem contabilizando prêmios
e elogios da crítica em mais 37 anos de carreira e shows
diversos. Já dividiu palco com Paulo Moura, Zé
Luiz Mazziotti, Rosa Maria e Miriam Batucada, por exemplo.
Dino,
que também toca guitarra, bandolim, violão de
sete cordas e viola caipira, tem como estilos fundamentais o
jazz e o choro. Acompanha artistas como Tom Zé, Edson
Cordeiro, Paula Lima e Fernanda Porto. Já realizou parcerias
semelhantes a esta em produção e arranjos nos
CDs A Voz do Coração (Virgínia Rosa) e
De Virada (Graça Cunha).
Faço
no tempo soar minha sílaba traça, no repertório,
um panorama caprichoso dessas mais de três décadas
de carreira de Célia. São canções
que representam diferentes fases de sua vida. Se em Muito romântico,
de Caetano Veloso, da qual foi tirado o título, ela se
derrama calorosa em versos como ‘sou o que soa, eu não
douro pílula’ na faixa seguinte, Disritmia, dividida
com a ‘fã-declarada’ Zélia Duncan,
revela-se malandramente no sinuoso texto de Martinho da Vila.
Mas há mais força e emoção no restante
do repertório, que vai desde Sem Açúcar,
peça das mais singulares de Chico Buarque, até
Última forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro),
passando por Cabaré (João Bosco e Aldir Blanc)
Para
o encarte desse disco, escreveu o letrista-compositor Hemínio
Bello de Carvalho: Cantora e intérprete, quase nem sempre
andam juntas. No caso de Célia, não. Ela sabe
ler nas entrelinhas, ajusta-se aos versos, e a eles se entrega
com emocionante dadivosidade. Célia ama a música,
e por ela é correspondida. Eu amo Célia, e é
um régio presente dos deuses reouví-la tão
bem produzida e magnificamente acompanhada.”