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Dan Nakagawa - O Primeiro Círculo

Dan Nakagawa mistura rock ’70, canção brasileira, soul e eletrônica em seu CD de estréia O Primeiro Círculo

Álbum de personalidade marcante, tem participação de Paula Lima e da atriz Camila Morgado e versão eletro-rock-funk para Cotidiando, de Chico Buarque

Dan Nakagawa, cantor, compositor e instrumentista apresenta suas armas: poesia, suingue, rock, ‘melancolia-esperançosa’, soul, música eletrônica e canção brasileira em seu CD de estréia O Primeiro Círculo. São 10 músicas próprias e versões para Cotidiano, de Chico Buarque e para a cantiga de domínio público Se essa rua. Em todo o trabalho a marca personalíssima de Dan: culto sem ser pedante, relaxado sem ser superficial, como bem definiu o crítico Antonio Carlos Miguel.

Nakagawa começou a vida artística aos 10 anos montando uma banda de rock. Aos 19 anos ingressou no curso de música popular da Unicamp mas desistiu no meio do caminho, quando descobriu que o ambiente acadêmico “o entediava”. Foi aí que, indicado por Jorge Mautner, foi fazer parte do grupo de teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, atuando como músico e a ator do espetáculo Mistérios Gozozos.

Desse período até o lançamento do trabalho em CD, Dan passou uma temporada em Nova York, que incluiu cantar ‘spirituals’ em igrejas do Harlem e outra na Alemanha, compondo a trilha sonora das canções do espetáculo de dança RE-SorT, do coreógrafo alemão Thomas Plishke. Por aqui, teve uma de suas canções, Aniversário, bastante executada na rádio Musical FM, em S. Paulo e apresentou-se ao lado de nomes como Paula Lima, Vanessa Da Mata, Jorge Mautner e Nando Reis (projeto Novo Canto).

Duas das músicas do CD estão cotadas para entrar no trabalho de Ney Matogrosso, Um pouco de calor e Um cano de revólver.




Dan Nakagawa

 



O Primeiro Círculo
01.Na Neblina do Samba (Dan Nakagawa)
02.Deitado num Girassol (Dan Nakagawa)
03. Medo e Coragem (Dan Nakagawa)
04.Um Cano de Revólver (Dan Nakagawa)
05.Um Pouco de Calor (Dan Nakagawa)
06.Cotidiano (Chico Buarque)
07.Clarice e Georgia(Dan Nakagawa)
08.Furobá (Dan Nakagawa)
09.Ipanema(Dan Nakagawa)
10. Se Essa Rua (Domínio Público)
11. Apartamento 133 (Dan Nakagawa)
12. Medo e Coragem (Dan Nakagawa)

"Quando me chamaram pra fazer o projeto Novo Canto, falaram no nome do Dan. Ouvi o CD e fiquei bastante impressionado. Melodias, letras... eu disse: Topo!" Nando Reis

"Salve Dan Nakagawa! Gostei da sua música, delicada sem perder a vitalidade. Gostei dos arranjos, composições e seu vibrato. Bem bacana, parabéns!" Lulu Santos

"Suas canções fazem um bem. Provocam prazer, desencadeiam eterna-moderna-adolescente adorável, felicidade" Jorge Mautner

MpopB Elegante e Urgente, por Antonio Carlos Miguel

Conheci Dan Nakagawa através de amigos comuns e logo fui conquistado por sua postura de, como naquela canção de Lulu, "gente fina, elegante e sincera". Antenado tanto à modernidade quanto aos clássicos, culto sem ser pedante, relaxado sem ser superficial, Dan é um paulistano cosmopolita, zen e pop. Só lá pelo nosso terceiro encontro, no entanto, ele me disse ser cantor e compositor.

Só lá pelo nosso terceiro encontro, no entanto, ele me disse ser cantor e compositor. "Gostaria de ouvir", comentei, protocolarmente e sem expectativas, vacinado que estou por décadas no outro lado da ponte como jornalista especializado em música. Dias depois recebi um CD-demo que já trazia o embrião desse disco que agora tenho o prazer de apresentar e que me soou como agradável surpresa!

Dan transita no pop, mas com referências que vão dos sons eletrônicos ao psicodelismo e à MPB. Ou seja, Música Pop Brasileira. Neblina do samba, na abertura do disco e com participação da cantora Paula Lima, é uma boa amostra de suas intenções (e de seu êxito), injetando tratamento eletrônico num samba de pegada nordestina, próximo ao baião.

Em seguida, Deitado num girassol é canção de atmosfera psicodélica, com letra que traduz com sensibilidade os mistérios da paixão. Enquanto Medo e coragem entra no disco em duas versões: a de "acampamento", descontraída, tipo roda de violões em torno de fogueira; e, como faixa-bônus, a de "pista-rock", tensa e densa, mais de acordo com a crônica urbana do tema. Também urbanóide e urgente é o rock Um cano de revólver (e os últimos segundos da minha vida), canção de riffs e imagens poéticas fortes.

Ao lado das boas composições autorais, Dan faz curiosas releituras de Cotidiano (Chico Buarque), que ganha pulsação techno-funk, e da canção de domínio público Se essa rua, que vira um mantra eletrônico.

Em meio a essas tentativas de traduzir em texto o que as canções de O primeiro círculo oferecem, nunca é demais apelar para a máxima do inventor de sons suíço-baiano Walter Smetak: "Falar de música é uma besteira, fazer é uma loucura!". E Dan Nakagawa (como esse disco, seu currículo e o aval de Nando Reis, Lulu Santos e Jorge Mautner confirmam) faz essa saudável loucura.

Antonio Carlos Miguel é crítico de O Globo, faz parte Júri do Prêmio TIM de Música e é membro e votante do Grammy Latino.