Nelson Angelo

Nelson Angelo lança o CD Mar de Mineiro -
o décimo segundo de sua carreira. Mergulho raro, profundo,
inquietante para um tempo de marolas... Um disco que começou
a ser feito no apagar das luzes da década de 60 quando
o compositor conheceu e trocou as primeiras idéias e
depois palavras, doses, melodias, cafés, harmonias com
o conterrâneo Antônio Carlos de Brito - o poeta
Cacaso.
Nada
nesta trajetória passa pelo lugar comum. A começar
pela forma que os dois se conheceram. O músico de Belo
Horizonte, o letrista de Uberaba, as alterosas do Rio de Janeiro
como cenário. Foi perante o mar de Copacabana, do apartamento
de Cacaso na Avenida Atlântica, que a amizade passou a
ser traduzida em ondas de composição. Atemporais
como a orla...
Já em 1970 nasceram duas composições deste
CD - Terra à Vista e Profundamente.
Coincidência ou não, respectivamente, abertura
e fecho de Mar de Mineiro. O verniz impressionista
de Terra à Vista é tingido pela clarineta
de Cristiano Alves nos primeiros segundos de audição.
Enquanto a beleza melódica acolhe os poucos versos de
Profundamente. Texto de impacto ao se ouvir, quase
como um epitáfio, ... Ai, que saudades que tenho/de
meus negros verdes anos.
Mas,
Cacaso e Nelson Angelo foram grandes amigos e Mar de Mineiro
é, acima de tudo, a celebração de uma parceria.
Este CD contém faixas como Dinhêru
- timbre agreste, seco como a realidade - e De Uma Vez
Por Todas, esta entoada por Rosa Emília - ex-mulher
de Cacaso, que colocou a voz em Veneza, onde reside. As duas
músicas integrariam um musical que a dupla chegou a finalizar
chamado Táxi. - Um espetáculo que
abordaria o triângulo fundamental dos musicais: Amor,
dinheiro e sucesso. - A Rosa seria protagonista deste espetáculo
- revela Nelson.
...
Sei, você é tão suave/é a sombra
de uma ave/deslizando pelo chão é uma das
tantas belas imagens criadas por Cacaso no disco, esta em Ave,
pontuada pelos rasantes do cello de Hugo Pilger e o pouso grave
do trombone de Roberto Marques. Detalhes de rara sensibilidade
como a digressão harmônica do compositor em Fonte,
córrego para notas ímpares... O meu bem
dormiu comigo/e a gente acordou.
Choro
elegante, trato fino, Dito e Feito é mordaz:
Não era amor perfeito/não era quase nada,
salpicado pelo sax soprano de Mário Sève em duo
com a flauta em sol de Paulo Guimarães. Bem mais descontraído
que o tormento de Pena de Paixão - ...me
fez cego e descontente/me arrastou numa corrente/numa fúria
de vulcão.
Das
mais intrigantes composições de Nelson Angelo
para o CD, Na Subida da Ladeira é um masterpiece
de arranjo. Arrepia nos contornos clássicos intrincados
por cello, viola e clarinete. Algo que se repete, ao avesso,
em Veridiana. Apenas piano, de Luiz Avellar - é
preciso ressaltar - não é apenas, e a voz no momento
mais tocante de Nelson. Harmonia inspirada, casa para versos
os cabralinos de Cacaso: Minha vó Veridiana/cortando
a couve bem fina/Vai desfiando um rosário/como quem cumpre
uma sina. Um achado.
Quem
partiu de Minas e se descobriu parceiro em frente ao mar não
se perde nunca. O desencontro amoroso de Marinheiro sem
Mar, o horizonte de vozes estupefatas em Quando
Eu Vi o Mar só justificam o título do CD.
As sílabas da faixa título constroem um cenário
poético infindo - conchas pela areia. Imagens sucessivas,
lindas, confortantes como espuma nos pés à beira-mar.
Mar
de Mineiro merece ser ouvido com ouvidos arregalados,
tal qual a descoberta que alterosa é um adjetivo adequado
para grandes montanhas quanto ondas altas. Trilha para este
mundão.
Braulio
Neto
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Mar
de Mineiro is the new project from multi instrumentalist,
composer and performer from Minas Nelson Angelo, with 13
unheard partnership and selected with the deceased lyrics maker
and poet Cacaso (1944/87). Responsible for arrangements and conduct,
Nelson also plays the piano, guitar and sings in most of the tracks.
The songs were composed between the 70s and 80s; all of them are
tunes, choros, songs and waltzes from "escola jobiniana "
- result from a time in which Nelson had close contact with Tom
Jobim - added up to the unique Nelson's mineiro/carioca style,
established in records Clube da Esquina 1 and 2 and in his most
famous compositions, as "Canoa, Canoa", "Tiro Cruzado",
"Fazenda" and "Testamento".
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Mar
de Mineiro
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| 01.Terra
à vista (Nelson Angelo/Cacaso)
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| 02.Ave
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 03.Mar
de Mineiro (Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 04.
Marinheiro sem Mar
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 05.
De Uma Vez Por Todas (Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 06.Quando
Eu Vi O Mar
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 07.A
Fonte (Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 08.Dinhêru
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 09.Dito
e Feito
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 10.
Pena de Paixão (Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 11.
Veridiana
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 12.
Na Subida da Ladeira (Nelson
Angelo/Cacaso) |
| 13.
Profundamente
(Nelson
Angelo/Cacaso) |
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Opiniões
da imprensa sobre o CD Mar de Mineiro:
"Mar de Mineiro é um daqueles cada vez mais
raros discos que dão prosseguimento à propalada linha
evolutiva da música popular brasileira. Um verdadeiro oásis
para intérpretes em busca de pérolas para gravar. Nelson
Angelo nunca foi um grande cantor, mas interpreta bem a sua própria
obra, repleta de melodias, harmonias e orquestrações reconhecidamente
mineiras. (...) A começar por Terra à vista, de influências
assumidamente jobinianas, que abre Mar de Mineiro. Ave, a faixa seguinte,
é de um envolvimento absoluto para ouvidos acostumados à
boa música, assim como a que batiza o disco. Em Marinheiro sem
Mar, o convite à dança chega a ser irresistível,
enquanto Dinhêru diverte com o discurso capitalista"
Ailton Magioli, Estado de Minas, 09/05/02.
"Canções de alto nível,
na melhor tradição da MPB" – Revista da MTV
– S. Paulo, junho de 2002.
"Íntimo
das harmonias, ele (Nelson Angelo) segue em suas inspiradas canções
a escola Tom Jobim de composição. São toadas, choros
e valsas com sabor de terra e direcionadas ao coração
com apuro instrumental, poesias e imagens. (...). Vilmar
Ledesma, Diário de S. Paulo, 27/05/02.
"Nelson
Angelo é um daqueles típicos mineiros. Trabalhando calma
e sossegadamente, sem a pressa e o imediatismo do mercado fonográfico,
Nelson lança mais uma relíquia de sua prolífica
carreira como compositor. (...) Um daqueles discos de beira-mar, mesmo
sendo feito por mineiros". Filipe Quintans, Tribuna da Imprensa,
Rio de Janeiro, 21/05/02.
"Integrante
do Clube da Esquina, Nelson Angelo lança este (brilhante) Mar
de Mineiro (Lua Discos), com parceria de Cacaso. O CD é denso,
tenso, belo e, acima de tudo, jobiniano." Mário Marques,
O Globo, Segundo Caderno, 7/05/02.
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