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Beto Ruschel



Cantor, compositor, letrista, produtor musical de discos, cinema e TV, Beto Ruschel desfruta de grande prestígio no meio artístico. Produziu várias trilhas para cinema, com destaque para “O Engano”, filme de Mário Fiorani, que recebeu prêmio de melhor música no Festival de Locarno (Suíça), em 1970. Recebeu também prêmio de melhor música no Festival do Guarujá com “Pontal da Solidão”, além de ter classificado a música “Madrasta” (parceria com Renato Teixeira) no Festival da Record em 1968, interpretada por Roberto Carlos. Foi cantor contratado da TV Tupi e gravadora RCA, nos anos de 1967 e 1968. No seu currículo vale registrar também sua atuação como diretor de programas jornalísticos da TV Globo, entre eles Fantástico, Jornal Nacional e Globo Repórter. Atualmente, está lançando seu CD-solo, além Acabou de produzir o disco do guitarrista Tomati (do Sexteto do Jô Soares) e está lançando seu primeiro CD, Solunar, que tem canções em parcerias com Renato Teixeira (Madrasta), Cezar de Mercês (Solunar), além de regravações de composições de Ataulfo Alves (Pois É), Bide & Marçal (Agora é Cinza) e Atahulpa Yupanqui (Los Ejes de mi Carreta). O estilo vai do samba até a música latina, em gêneros como bolero e milonga, por exemplo.




Singer and composer, Beto Ruschel is launching his third album. There are 14 songs of his own, and also songs by Ataulfo Alves and Atahulpa Yupangui. The rhythms vary from samba to Latin genders as bolero and milonga.
His song Madrasta (partnership with Renato Teixeira) was classified at Festival of Record, in 1968, sang by Roberto Carlos.

 




Solunar
01.Antes da Chuva (Pepe Baconao e Beto Ruschel)
02.Solunar (Cezar de Mercês e Beto Ruschel
03.Qualquer Norte (Cezat de Mercês e Beto Ruschel)
04.Ao encontro da lua (Beto Ruschel)
05.Coisa de vira-lata (Cezar de Mercês e Beto Ruschel)
06.Pois é/ Agora é cinza (Ataulfo Alves/ Bide e Marçal)
07.Trein bão (Beto Ruschel)
08.Do mar, de Minas (Cezar de Mercês)
09.Inolvidable (Julio Gutierres)
10. Obsessão (Mirabeau)
11. Los ejes de mi carreta (Atahulpa Yupangui e Romildo Risso)
12.Madrasta ( Renato Teixeira e Beto Ruschel)
13.Mana (Beto Ruschel)

Texto de Renato Teixeira sobre Beto Ruschel:

Beto Ruschel, em nome do belo... O Beto faz parte de uma geração de músicos brasileiros forjada numa grande encruzilhada musical que aconteceu nos anos 50/60, no Brasil e no mundo! Naquele momento, todas as melhores influências da MPB se perfilaram diante de uma profícua reavaliação das perspectivas para nossa música. Beto, filho do ator Alberto Ruschel e da escritora e jornalista Neli Dutra, sobrinho do compositor Paulo Ruschel, era criança ainda e já convivia com a magia deste tempo através da música, do cinema e da literatura.
O Beto faz parte de uma geração de meninos que viu a inauguração de Brasília e se absorveu pelo novo, pela pluralidade de possibilidades que o mundo moderno projetava para o futuro. Carioca, com vínculos gaúchos irrefreáveis, Beto é um sinalizador de seu tempo, um homem de sua época, um desenhador de melodias e harmonizador impecável. Radicalmente perfeccionista, coloca toda sua energia no que faz e, não poucas vezes, já vi sua irritação contra imperfeições mudar seu humor. Trabalhamos juntos na TV Tupi com Fernando Faro e Goulart de Andrade nos tempos do 'Móbile'e "Poder Jovem" e ele já dominava sua arte cantando no mais puro estilo Chet Baker. Eu vi o Beto recusar um papel na novela "Beto Rockfeller" porque o personagem era meio mau-caráter (para quem se lembra da novela era o papel do Rodrigo Santiago) e isto é uma coisa bem dele. Quando ouço sua música sinto como se Beto quisesse aprisionar o tempo dentro de suas melodias e, a partir daí, tudo flui numa dimensão paralela...ali, marinheiro de seus próprios oceanos, ele reencontra a riqueza dos signos captados na infância e no tempo das viagens, quando então sonhar era a palavra de ordem! Eu já vi o Beto atuar no teatro, no cinema, atrás das câmeras, tocando, cantando, criando comerciais como um soldado que luta em nome do belo. Já vi o Beto com os velhos, com as crianças, com os pobres e com os ricos, com os inocentes e os suspeitos, e em todas as situações seus propósitos foram claramente em nome do belo! Um sujeito que, com suas vastidões interiores, consegue viver por longos anos na solidão das vastidões gaúchas como um ermitão, em nome do belo! Agora, depois de um tanto vagar, vejo uma vela branca se um CD, um disco, uma singela rodela de plástico meio branca e fico imaginando o tanto que demorou, tanto que custou....
É o Beto que vem, finalmente e graças a Deus, em nome do belo, no ar, como aquele velho albatroz, amigo nosso - de que ele fala num texto na caixinha do disco - alçando vôo!! Em nome do belo!
Renato Teixeira